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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 01 - FANTASTICO - GLOBO
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O COMEÇO DE TUDO - 20.08.2006
Pelos quatro cantos do mundo, todas as culturas já tentaram, de alguma forma, explicar o início de tudo: a origem do Universo. Todos já se fizeram "a grande pergunta": De onde viemos?
A vontade de saber quem somos, de conhecer nossa origem, a origem do mundo, nasceu quando o primeiro homem olhou para o céu e se viu só, à mercê de uma natureza que tanto cria quanto destrói. Essa curiosidade hoje está mais viva do que nunca, alimentando a imaginação dos cientistas que tentam desvendar nossas origens.
O sítio arqueológico de Stonehenge, no interior da Inglaterra, guarda um conjunto de pedras de até 40 toneladas cada uma, dispostas em forma de círculo. A construção de Stonehenge foi um feito extraordinário para o ser humano. O lugar é um dos grandes mistérios da humanidade.
As pedras foram postas no local há mais de 3 mil anos, ninguém sabe exatamente por quem. Também não se sabe como elas foram levadas e arranjadas de tal forma. A teoria mais aceita é de que foram os celtas. Os druidas, sacerdotes dos celtas, tinham adoração pelo Sol. Eles sabiam que a vida dependia dele. Sabiam também que o movimento do Sol pelos céus determinava a época da colheita, a época do plantio, a chegada das chuvas e a chegada do inverno.
Tudo indica que o monumento de Stonehenge era um gigantesco instrumento astronômico, um calendário, que ajudava os celtas a marcar o percurso do Sol ao longo do ano. Tanto é que, no dia 21 de junho, o Sol nasce exatamente sobre a pedra principal quando se olha de dentro do círculo. No Hemisfério Norte, 21 de junho é o solstício de verão, o dia mais longo do ano, em que o Sol aparece mais alto no céu.
Também se acredita que os druidas celtas que viveram na região, milhares de anos atrás, usavam o monumento como palco de celebrações pagãs. Até hoje, todo dia 21 de junho, muitas pessoas fantasiadas de druidas aparecem por lá para festejar -- nem sempre de forma pacífica.
Os druidas de Stonehenge -- os do passado -- também se perguntavam como surgiu o mundo. Também se fizeram "a grande pergunta". E encontraram a explicação deles para a origem do Universo.
Os druidas acreditavam que o mundo foi criado por deuses, e que será destruído por eles também. Esse é o tipo mais comum de mito da Criação. Esse tipo de crença é familiar para nós, do mundo ocidental. A tradição judaico-cristã dá a mesma explicação no Gênesis, o primeiro livro do Antigo Testamento. Existem outras culturas que acreditam que o mundo foi criado por vários deuses, como os babilônios e os egípcios.
Mas também há quem acredite que ninguém criou o mundo: o Universo teria vindo do nada. Essa é a crença de duas culturas bem diferentes e distantes entre si: os índios ianomâmi, do Brasil, e os maori, da Nova Zelândia.
E existem ainda aqueles que acreditam que o Universo surgiu espontaneamente, sem a ação de um deus ou deuses. Segundo esse mito, o mundo veio do caos. A ordem, acredite ou não, pode nascer do caos. Essa é a crença do taoísmo, uma religião de origem chinesa.
Um deus ou muitos deuses, nenhum deus ou o caos criador. Todos esses mitos têm uma coisa em comum: o Universo surgiu em algum instante no passado. E foi nesse instante que nasceu o tempo. O relógio começou a bater ali, naquele momento. O Universo ou Cosmo teria, portanto, uma data de aniversário.
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Length: 502
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Tags: introdução física historia do universo leis naturais surgimento vida documentário completo estrelas astros corpos céu
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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 02 - FANTASTICO - GLOBO
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O NASCIMENTO DA CIÊNCIA - 27.08.2006
Poeira das estrelas, a nova série do Fantástico que vai em busca da origem do universo, desembarca hoje na Itália. Seguindo os passos dos grandes cientistas, o físico Marcelo Gleiser esteve na famosa Torre de Pisa, para recriar uma experiência histórica.
Poeira das Estrelas, a nova série do Fantástico que vai em busca da origem do universo, desembarca hoje na Itália. Seguindo os passos dos grandes cientistas, o físico Marcelo Gleiser esteve na famosa Torre de Pisa, para recriar uma experiência histórica.
Domingo passado, na estréia da série "Poeira das Estrelas", nós aprendemos que tão antigo quanto a história da humanidade é o desejo de compreender as nossas origens.
De onde viemos? Como surgiu o universo? E o nosso planeta, como nasceu?
Cada cultura, cada religião buscou suas próprias respostas. Mas houve um momento na história da humanidade em que a curiosidade falou mais alto e os dogmas religiosos passaram a ser questionados.
O nascimento da ciência é o tema do capítulo de hoje. Os gregos antigos foram os primeiros a tentar entender a origem do universo sem a ajuda ou interferência da religião.
Em torno de 650 antes de Cristo, aquele que é apontado como o primeiro filósofo, Tales de Mileto, se perguntou: "Do que tudo é feito?". Repare: a indagação de Tales não era sobre a 'criação', a origem, mas dizia respeito à 'composição' das coisas.
Esse é um questionamento essencialmente científico. Tales de Mileto talvez não soubesse, mas, para entender a origem do mundo, cientificamente, é preciso antes desvendar a composição das coisas.
Em torno do ano 400 antes de Cristo, dois outros gregos, Leucipo e seu discípulo, Demócrito, disseram que tudo o que existe no mundo é feito de pequenas partículas indivisíveis, batizadas de átomos. Em grego, átomo quer dizer "aquilo que não pode ser cortado".
Para Leucipo e Demócrito, os átomos eram infinitos em número e podiam combinar-se para formar a matéria do mundo.
Hoje sabemos que existem muitas partículas menores que o átomo, como prótons, nêutrons e elétrons, para ficar só nas mais conhecidas.
Sabemos também que os átomos não são infinitos. Na escola, você já deve ter ouvido falar na tabela periódica dos elementos, que inclui os 92 tomos existentes naturalmente no universo.
Mesmo assim, a noção de que a matéria é composta por pequenos tijolos fundamentais foi uma sacada brilhante dos gregos, e essa idéia permanece viva até hoje.
O mais influente dos filósofos da antigüidade talvez tenha sido Aristóteles. Ele viveu em Atenas em torno do ano 340 A.C: cerca de 100 anos após a construção do Parthenon, o mais famoso templo grego, que existe até hoje.
Para os gregos, simetria e beleza eram sinônimos. Pensando nisso, Aristóteles propôs um modelo de mundo simétrico e perfeito. Um método elegante e intuitivo para explicar o universo.
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Tags: em busca do conhecimento origem pesquisador físico matematico escritor
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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 03 - FANTASTICO - GLOBO
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UMA NOVA ASTRONOMIA - 03.09.2006
O físico Marcelo Gleiser conta hoje como a ciência finalmente conseguiu provar que a Terra não é o centro do universo.
Nossa equipe desembarca em Praga, a bela capital da República Tcheca, para mais um episódio de Poeira das Estrelas. O físico Marcelo Gleiser conta hoje como a ciência finalmente conseguiu provar que a Terra não é o centro do universo.
No capítulo passado, nós conhecemos a história de dois grandes astrônomos do século XVI, um tempo turbulento para a ciência: Nicolau Copérnico, o polonês que teve a coragem de afirmar que a Terra não era o centro do universo; e o italiano Galileu Galilei, o primeiro homem a ter a idéia de apontar um telescópio para o espaço.
Com Galileu, a Ciência fez grandes descobertas e entrou na era das experiências - ver para crer se tornou muito mais importante do que crer para ver. No capítulo de hoje, a convivência tumultuada de dois gênios: Kepler e Brahe.
Praga, a bela capital da República Tcheca. Contra todas as expectativas, na cidade, aconteceu um encontro que mudou a história da astronomia. Duas cabeças que pensavam de maneira bem diferente acabaram provando que o modelo do cosmo proposto por Copérnico estava certo: não é o Sol que gira em torno da Terra, e sim, o contrário.
Em 1600, o maior astrônomo da Europa, um príncipe dinamarquês, convidou um jovem alemão brilhante para ser seu assistente. O príncipe queria a ajuda dele para provar de uma vez por todas que a Terra era o centro do cosmo. Mas essa história teve um fim muito diferente.
O príncipe se chamava Tycho Brahe. Ele ocupava o cargo de astrônomo imperial, no castelo de Benatky, nos arredores de Praga. Brahe era um homem de personalidade difícil e aparência assustadora. Em um duelo, havia perdido parte do nariz e usava uma prótese de metal.
Assim como os gregos antigos e a Igreja Católica, Brahe acreditava no modelo geocêntrico. Geo quer dizer terra e cêntrico, centro. Ou seja, que a Terra era o centro do universo. E ele queria provar que não se tratava apenas de uma crença, e sim, a verdade absoluta.
Brahe dispunha de meios para isso. Afinal, como maior astrônomo da Europa, havia medido com precisão inédita para a época as posições dos planetas no céu noturno.
Mas ele precisava de um arquiteto, alguém que soubesse matemática suficiente para transformar seus dados em um novo modelo do cosmo. Também não ajudava o fato de Brahe dedicar tempo demais às festas e à bebida.
Foi quando entrou em cena o jovem astrônomo alemão Johannes Kepler. Ele era uma espécie de Woody Allen da ciência: corpo franzino, tímido e neurótico, Kepler fugia de uma história de vida tumultuada. A mãe dele havia sido acusada de bruxaria e o pai era um mercenário de reputação duvidosa, que havia abandonado a família.
Em uma Europa dividida por conflitos entre católicos e protestantes, Kepler havia sido expulso da cidade onde morava na Áustria.
Em Praga, ele procurava não só a proteção que as muralhas do castelo de um príncipe podiam oferecer. Ele queria encontrar nos céus a ordem que não via na Terra.
Essa harmonia dos céus que Kepler enxergava era o oposto do que acreditava o príncipe. Para o jovem astrônomo, o modelo heliocêntrico de Copérnico é que era o certo. Em grego, helios quer dizer sol - o sol, no centro. Portanto, a Terra é que gira em torno do Sol.
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Tags: giro planetario das galaxias sistemas solares
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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 04 - FANTASTICO - GLOBO
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ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU - 10.09.2006
A série "Poeira das Estrelas" chega agora à Inglaterra para contar uma das histórias mais famosas da ciência. O físico Marcelo Gleiser vai explicar como uma simples maçã pode ter sido responsável por toda uma revolução na astronomia.
No capítulo passado, Poeira das Estrelas visitou Praga, capital da República Tcheca, para contar a história de dois astrônomos brilhantes do século 17: o dinamarquês Tycho Brahe e o alemão Johannes Kepler. Brahe foi quem fez o primeiro mapa preciso dos planetas no céu que vemos à noite. Kepler foi além: descreveu, com riqueza de detalhes as órbitas dos planetas. E provou que é a Terra que gira em torno do Sol, e não o contrário, como se acreditava até então. Brahe e Kepler, assim como o italiano Galileu Galilei, foram gigantes da ciência.
Décadas depois, um gênio inglês de temperamento difícil chegaria para promover uma revolução definitiva na astronomia. Ele resumiu numa frase a importância dos mestres Kepler, Brahe, Galileu e tantos outros: "Se enxerguei mais longe, foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes".
Trinity College, uma das muitas faculdades que integram a universidade de Cambridge, na Inglaterra -- no local, em 1661, chegou um estudante de 19 anos com um raro talento para a matemática, chamado Isaac Newton.
Assim como Kepler, Newton vinha de uma história familiar complicada. Ele nasceu prematuro, órfão de pai, e foi abandonado pela mãe quando tinha 3 anos. Criado pela avó, Newton cresceu evitando contato com outras pessoas, fossem homens ou mulheres. Ele jamais se casou, e muitos biógrafos afirmam que Newton morreu virgem.
Na reitoria do Trinity College, encontramos o homem que ocupa hoje o cargo mais importante da astronomia britânica: sir Martin Rees, o astrônomo real. Sir Martin nos conta que Newton tinha uma personalidade nada cativante. Era uma figura solitária, vingativa e reagia mal às críticas, principalmente, quando vinham de outros cientistas. Mas ele não mede palavras na hora de definir o lugar de Newton entre as grandes cabeças da humanidade.
"Na minha opinião, Newton foi o grande intelectual da ciência nos últimos mil anos", diz Rees.
Isaac Newton foi talvez o cientista mais importante de todos os tempos. O interessante é que ele nasceu em 1642, o mesmo ano da morte de Galileu. Foi como se um tivesse passado a coroa pro outro. O grande mérito de Newton foi ter explicado a física do nosso dia a dia. Pra ele, tudo no universo era uma conseqüência de ação de forças.
Você é capaz de já ter ouvido falar na história de que uma maçã caiu na cabeça de Newton enquanto ele tirava um cochilo debaixo de uma árvore. Se a história é verdadeira, não importa. O fato é que Newton concluiu que, se a maçã cai no chão, é porque existe algo que a puxa para baixo: uma força.
Na Grécia Antiga, quase 2 mil anos antes de Newton, o filósofo Aristóteles dizia que pesos diferentes caem com velocidades diferentes. Segundo esse raciocínio errado, uma maçã pequena cairia mais devagar que uma maçã grande.
Setenta anos antes de Newton, Galileu Galilei já havia demonstrado, numa experiência realizada na Torre de Pisa, na Itália, que dois objetos, quando jogados de uma certa altura, caem ao mesmo tempo, independentemente do peso. Aristóteles estava errado. Galileu e Newton, na verdade, estavam falando da mesma coisa: de uma força. Ou seja, a força que faz a maçã atingir a cabeça de Newton é a mesma que faz com que o elefante e a formiguinha caiam ao mesmo tempo da Torre de Pisa. Uma força que age de maneira igual sobre todos os objetos.
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Tags: mapeamento do sistema solar galaxias planetas viagem estrelar
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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 05 - FANTASTICO - GLOBO
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COMO FOI QUE TUDO COMEÇOU? - 17.09.2006
Anos atrás, uma cidade brasileira deu uma contribuição fundamental para a obra do físico Albert Einstein, um dos maiores gênios da humanidade.
Anos atrás, uma cidade brasileira deu uma contribuição fundamental para a obra do físico Albert Einstein, um dos maiores gênios da humanidade.
Poeira das Estrelas conta hoje como foi feita essa e outras descobertas que nos levaram até a resposta para a grande pergunta: como foi que tudo começou?
Domingo passado, poeira das estrelas esteve na Inglaterra para contar a história do homem que explicou a força da gravidade: Isaac Newton.
Pai de uma nova matemática, inventor de telescópios mais potentes, Newton foi tão importante que, depois dele, as descobertas da ciência passaram a acontecer cada vez mais rápido.
Olhando para o céu e enxergando mais longe, o ser humano finalmente chegou perto de uma resposta científica para a grande pergunta: como tudo começou? Afinal, de onde viemos? Esse é o tema do capítulo de hoje.
Gravidade: a força que nos mantém presos ao chão. Sem ela, sairíamos flutuando pelo espaço. Os planetas não girariam em torno do Sol. A Lua se desprenderia da Terra, e nunca mais veríamos uma noite de Lua cheia. Para Newton, a gravidade era algo que agia à distância.
Mais de 200 anos depois, no início do século 20, um físico alemão, talvez o cientista mais genial nascido depois de Newton, reinventou o conceito de gravidade. Seu nome: Albert Einstein.
Ele era o próprio retrato do cientista dos filmes em preto e branco: sotaque alemão, cabelos desgrenhados, tocava violino para buscar inspiração. Einstein não passava essa imagem por acaso. A verdade é que a figura do cientista excêntrico do cinema foi criada a partir dele.
A imagem mais famosa de Einstein, a foto com a língua de fora, foi uma tentativa do cientista de atrapalhar o trabalho dos fotógrafos que o perseguiam no dia do seu aniversário. Achou que, se mostrasse a língua, os jornais deixariam de publicar a foto. Nunca um gênio se enganou tanto: nascia ali uma das imagens mais marcantes do século 20.
A grande obra de Einstein é a teoria da relatividade. Quando pediram uma explicação simples sobre o assunto, ele se saiu com essa: "Se um homem se senta ao lado de uma moça bonita, uma hora se passa como se fosse um minuto. Mas se o homem se senta sobre um forno quente, um minuto parece uma hora. Isso é relatividade".
Claro que a teoria da relatividade é muito mais complicada. Nela, Einstein propôs uma nova maneira de se pensar sobre o espaço, sobre o tempo e sobre a gravidade: para ele, a gravidade é resultado da curvatura do espaço provocada pela massa dos corpos.
A idéia básica é simples. Imagine uma cama elástica. Sem a presença de um corpo com massa, a cama elástica não se curva. Mas se alguém pula sobre a cama elástica, ela afunda. E quanto mais pesada a pessoa, maior a curvatura. Em poucas palavras, essa era a nova explicação para a gravidade.
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Tags: atração entre os planetas corpos gravitacionais orbitas
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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 06 - FANTASTICO - GLOBO
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O CIENTISTA ESQUECIDO - 24.09.2006
No capítulo deste domingo, da série "Poeira das Estrelas", o físico Marcelo Gleiser encontra o homem que o Prêmio Nobel esqueceu.
Imagine que você é cientista e descobre a resposta para uma das perguntas mais antigas da humanidade: como foi que tudo começou? E, quando chega a hora do reconhecimento, como você se sentiria se toda a glória e todos os prêmios fossem para outra pessoa? Essa história é verdadeira.
Em ciência, muitas vezes, grandes descobertas nascem por acaso. E nem sempre a comunidade científica reconhece o mérito daqueles que tiveram uma grande idéia primeiro. Para uns, a glória; para outros, o esquecimento.
O ano era 1929. No observatório de Mount Wilson, ao norte de Los Angeles, havia sido construído o telescópio mais potente de todos os tempos.
O astrônomo americano Edwin Hubble apontou o telescópio para o céu e viu gigantescos conjuntos de estrelas -- as galáxias -- se afastando umas das outras. Era o universo em expansão, crescendo cada vez mais.
As conseqüências dessa descoberta foram profundas. Se as galáxias estão se afastando, isso significa que, no passado, elas já estiveram mais próximas. E mais: em um passado muito distante, as galáxias -- e as estrelas que elas contêm -- estavam tão próximas que ocupavam todas o mesmo espaço. Trata-se de uma região minúscula, menor do que a cabeça de um alfinete. O universo, então, tinha uma origem. Mas que origem era essa?
Ironicamente, a primeira pessoa a buscar essa resposta, a sugerir um modelo científico para a origem do universo foi um padre, o belga Georges Lemaître. Segundo ele, no início, o universo não passava de um enorme núcleo, ou "átomo primordial", como ele chamou. Mas o próprio Lemaître admitia que sua teoria não explicava tudo em detalhes, o que é essencial em ciência.
Só em 1948, inspirado pelas idéias de Lemaître, um dissidente soviético naturalizado americano pôs as mãos à obra. Ele se chamava George Gamow. Era um homem que não tinha medo de grandes desafios. Nascido na Ucrânia, Gamow chegou a tentar fugir duas vezes da antiga União Soviética, atravessando o mar negro em um barquinho a remo.
Para ajudá-lo na gigantesca tarefa de finalmente explicar a origem do universo, Gamow convocou dois alunos de doutorado, Robert Hermann e Ralph Alpher. Dos três, apenas Alpher está vivo. Encontramos com ele em um asilo para aposentados em Tampa, no estado americano da Flórida.
Alpher sofreu um derrame anos atrás e se movimenta com dificuldade, mas continua lúcido. Ele conta como era trabalhar com Gamow. "Ele era uma grande figura", diz Alpher. "Fechando os olhos, consigo imaginá-lo na sua motocicleta, um belo cachecol de lã no pescoço, voando ao vento", conta o cientista.
Gamow sabia das descobertas de Edwin Hubble, de que o universo está em expansão. Sabia também que o universo é extremamente frio. Gamow tinha um palpite: se voltasse no tempo, poderia contar a história do início de tudo.
E isso foi o que ele propôs: se o universo -- que está em expansão -- hoje, é frio e gigantesco, no seu início devia ser exatamente o contrário: muito quente e muito denso. Por isso, ele apostou que o universo começou comprimido, ao máximo, em uma única região.
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Tags: descobridor não reconhecido inicio de tudo energia inicial explosão gigantesca grande criação
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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 07 - FANTASTICO - GLOBO
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O NASCIMENTO DAS ESTRELAS- 01.10.2006
De onde vieram o Sol, a Lua e as estrelas? E nós, habitantes de um planeta tão pequeno diante da imensidão do Universo? Como foi que nós surgimos e hoje podemos estar aqui, tentando entender a origem de tudo?
Domingo passado, a série Poeira das Estrelas terminou de contar a história de uma das descobertas mais importantes de todos os tempos: a origem do Universo. De acordo com a teoria mais aceita pela ciência, o Universo surgiu há 13,7 bilhões de anos. Esse é o modelo do Big Bang: a história moderna da criação.
Foi depois dessa grande explosão que surgiu tudo o que existe no Universo, inclusive o tempo. Nesse momento, o relógio começou a bater. Mas essa é apenas uma parte da história.
De onde vieram o Sol, a Lua e as estrelas? E nós, habitantes de um planeta tão pequeno diante da imensidão do Universo? Como foi que nós surgimos e hoje podemos estar aqui, tentando entender a origem de tudo? O nascimento das estrelas é o nosso assunto de hoje.
Berçários cósmicos
Uma das descobertas mais bonitas da Ciência moderna é de que tudo o que existe na Terra, na Lua e nos outros planetas foi gerado nas estrelas. As pedras, os metais, o carbono dos seres vivos, o oxigênio que a gente respira, tudo. É por isso que somos todos "poeira das estrelas". Mas como isso aconteceu?
Para começar a entender, pense numa fundição: um lugar onde metais são derretidos para assumir novas formas. O ouro, um dos metais mais nobres, é líquido a uma temperatura de pouco mais de 1000ºC. Nessas condições, não tem forma fixa. Mas quando se resfria, pode tomar a forma de barras. Com o Universo, foi parecido.
Imediatamente após o Big Bang, tudo o que existia era uma sopa muito quente de partículas chamadas elétrons, quarks e glúons. Aos poucos, essa matéria começou a esfriar.
Quatrocentos mil anos depois do Big Bang, a matéria já estava fria o suficiente para começar a se agrupar e formar os primeiros elementos: o hidrogênio, que pode ser encontrado na água, e o hélio, o gás que é usado para encher balões.
Formaram-se, então, gigantescas nuvens compostas principalmente de hidrogênio. Durante quase 1 bilhão de anos, isso foi tudo o que existiu no Universo. Ondas de choque do Big Bang ainda ecoavam. A matéria girava, como numa dança cósmica.
Mas chegou um momento em que as nuvens de hidrogênio sucumbiram ao próprio peso e entraram em colapso. A matéria foi ficando cada vez mais quente e densa. E, então, algo incrível aconteceu: nasceram as primeiras estrelas. O nosso Sol é uma estrela, e surgiu há cerca de 4,5 bilhões de anos.
Estrelas como o Sol brilham durante bilhões de anos, gerando luz e calor. Mas, um dia, elas também entram em colapso e morrem. É durante esse fim da vida das estrelas que são formados os outros elementos da natureza, além do hidrogênio e do hélio: o carbono, que está em todos os seres vivos -- no carvão mineral, nos diamantes --, o cálcio dos nossos ossos, o ferro. Tudo isso nasceu nas estrelas.
Você já parou para pensar para onde vão as estrelas durante o dia? Elas não vão para lugar nenhum. Elas estão aí. Só que elas estão ofuscadas pela luz do Sol.
Quando a noite cai, e o céu está limpo, podemos contar as estrelas visíveis: por incrível que pareça, não conseguimos enxergar mais do que 3 mil. Mas, para se ter uma idéia de como o Universo é grande, só na nossa galáxia, a Via Láctea, existem pelo menos 200 bilhões de estrelas.
E em todo o Universo conhecido pelo homem existem 70 sextilhões de estrelas. Ou seja: 70.000.000.000.000.000.000.000. Se lembrarmos que todas as estrelas visíveis no céu não passam de 3 mil, podemos ter uma idéia da imensidão do Universo.
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POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 09 - FANTASTICO - GLOBO
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A INFÂNCIA VIOLENTA DA TERRA - 15.10.2006
O físico Marcelo Gleiser vai contar a incrível história do nascimento da nossa companheira inseparável: a Lua.
A série "Poeira das estrelas" chega hoje ao deserto do Arizona, um lugar que já foi testemunha do passado violento do nosso planeta. O físico Marcelo Gleiser vai contar a incrível história do nascimento da nossa companheira inseparável: a Lua.
Você pode até não acreditar, mas o nosso planeta já foi um lugar muito mais perigoso para se viver. E, se hoje estamos vivos para contar essa história, devemos muito à sorte. A infância violenta da Terra é o tema do capítulo de hoje.
Depois que o primeiro homem foi ao espaço, em 1961, descobrimos algo incrível sobre o nosso planeta: "A Terra é azul". Foi o que disse o cosmonauta soviético Iuri Gagarin, ao retornar da primeira viagem orbital tripulada.
Desde então, essa é a imagem que temos da Terra: um planeta azul, coberto de nuvens, flutuando calmamente na imensidão do espaço. Mas nem sempre foi assim.
Muito tempo atrás, há quatro bilhões e meio de anos, logo depois da formação do sistema solar, a Terra vivia sob um intenso bombardeio de asteróides. Rochas de todos os tamanhos caíam constantemente sobre o nosso planeta.
Por causa da erosão e do tempo, os vestígios desse período desapareceram quase todos - quase. O deserto do Arizona, Estados Unidos, é a melhor testemunha que existe do passado violento da Terra. Lá, fica a maior cratera visível do nosso planeta, provocada pela queda de um asteróide. É tão grande que só há uma maneira de vê-la por inteiro: do alto, de balão.
Na Terra, justamente por causa da erosão, são poucas as crateras que ainda são visíveis. A mais famosa é a cratera de Barringer, no Arizona. Ela é tão sensacional que vale a pena ver de cima. Para isso, nada melhor do que ir de balão.
Pouco mais de 5h é a hora ideal para um vôo de balão. Bem cedo, os ventos são mais favoráveis, e a luz do sol é a melhor possível para as filmagens.
De cima, podemos ver toda a beleza da cratera de Barringer. Ela tem esse nome por causa do geólogo americano Daniel Barringer. Ele comprou as terras na esperança de que restos do asteróide que caiu contivessem ouro ou outros metais preciosos.
Estava errado. Sobrou muito pouca coisa do asteróide. O que restou mesmo foi uma cratera gigante, que ainda está aqui por um motivo: essa cratera pode ser vista porque ela é bem recente. Foi formada há 50 mil anos, quando um meteorito de cerca de 50 metros de diâmetro caiu no local. Recente, claro, em termos históricos. Cinqüenta mil anos atrás, nossos antepassados ainda viviam nas cavernas.
Os cientistas que estudaram a cratera acreditam que o meteorito caiu a uma velocidade de 40 mil quilômetros por hora. O impacto liberou energia comparável à explosão de uma bomba de hidrogênio, a arma de destruição em massa mais poderosa que existe.
O resultado: uma cratera de dois quilômetros de extensão e 20 campos de futebol e 200 metros de profundidade. Se esse meteorito tivesse caído em uma cidade grande, como o Rio de Janeiro ou em São Paulo, milhões de pessoas teriam morrido. E olha que esse era um dos pequenos...
O terreno onde fica a cratera de Barringer hoje é propriedade particular. Essa foi a primeira vez que seus donos autorizaram um vôo de balão pelo local.
Quando estávamos quase pousando, o piloto avisa que a aterrissagem vai ser complicada porque o vento está forte. Opa! Nada grave para balonistas de primeira viagem.
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Tags: criação da terra surgimento dos continentes erosão na superficie afastamento tectonico erupções violentas extinção br
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